Nevos atípicos e dermatoscopia

 

O conceito de nevo atípico suscita controversa tanto em relação à nomenclatura como em relação aos critérios clínicos, dermatoscópicos e histopatológicos de diagnóstico.

A designação mais consensual é nevos atípicos mas continuam a ser utilizadas outras como, nevos displásicos, nevos de Clark, B-K  nevus ou nevos com alteração arquitectural.

Mais do que precursores de melanoma, a presença de nevos atípicos é considerada um marcador de risco aumentado para desenvolvimento de melanoma, que pode surgir por transformação de nevo ou de novo.

A síndrome dos nevos atípicos – melanoma maligno familiar,  caracteriza-se pela história de melanoma em 1 familiar de 1.º ou 2.º grau e presença de muitos nevos (geralmente mais de 50), alguns deles atípicos. Esta síndrome autossómica dominante implica risco 150 vezes acrescido de melanoma em relação à população geral.

A maior frequência de nevos atípicos nas áreas fotoexpostas, especialmente no tronco, a sua associação positiva com história de queimaduras solares na infância e/ou adolescência e a sua ocorrência em pessoas com pele sensível ao sol sugerem que o seu desenvolvimento pode estar associado com exposição solar aguda e intensa.

Clinicamente caracterizam-se por diâmetro superior a 5 mm, bordos mal definidos, margens irregulares, cor heterogénea,  podendo ter componentes macular e papular.

A sua caracterização pode ser melhor efectuada através da dermatoscopia que permite avaliações sequenciais ao longo do tempo com identificação de eventuais alterações  no sentido de maior atipia / melanoma.

A dermatoscopia consiste na observação das lesões através de equipamentos ópticos ou digitais que as iluminam e ampliam tornando visíveis características não observáveis a olho nu. O conhecimento dos aspectos dermatoscópicos característicos das lesões pigmentadas, que tem uma semiologia própria, permite aumentar a acuidade diagnóstica na separação entre as várias lesões pigmentadas, nomeadamente na distinção entre lesões melanocíticas benignas e melanoma.

A correlação entre atipia clínica e atipia histológica é muito imperfeita. Em muitos casos clinicamente atípicos não se confirma atipia histológica e por vezes ocorre atipia histológica em nevos clinicamente comuns.

Apesar do reconhecimento da associação entre nevo atípico e risco de desenvolvimento de melanoma, a maioria dos nevos atípicos não evolui para melanoma. Dai ser relativamente consensual que a excisão profiláctica sistemática dos nevos atípicos, sobretudo se forem vários, não se justifica, podendo até dar uma sensação de falsa segurança.  A vigilância clínica replica breitling outlet e dermatoscópica parece ser a atitude mais adequada.

 

 

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