Fotoprotecção

 

O sol é fonte de energia e de vida e tem efeitos benéficos sobre a saúde, sendo reconhecido o seu papel na síntese da vitamina D, podendo ainda afectar de forma positiva o humor, através de acção anti-depressiva.

As preocupações em relação às consequências negativas da exposição solar surgiram quando o comportamento natural, de procurar a sombra nas horas de maior intensidade da radiação solar, foi substituído pela exposição, deliberada e excessiva, ao sol com o intuito de obter uma tonalidade bronzeada. A consequência imediata foi o aumento do número de queimaduras solares mas só alguns anos mais tarde começaram a surgir as principais consequências: envelhecimento prematuro da pele e, sobretudo, o aumento marcado da incidência de vários tipos de cancro da pele.

A exposição solar é, habitualmente, frequente e intensa durante a infância e a adolescência. Algumas estimativas indicam que mais de dois terços da dose total da radiação ultravioleta (RUV) a que estamos expostos ao longo da vidaocorre até aos 18 anos de idade. As queimaduras solares ocorridas nesta faixa etária parecem associar-se a um risco aumentado de melanoma, anos ou décadas mais tarde. Já a exposição cumulativa, crónica, ao longo da vida está claramente associada ao fotoenvelhecimento e ao desenvolvimento de queratoses actínicas e carcinomas espinocelulares.

Fotoprotecção não é sinónimo de protector solar, sendo antes um conceito mais abrangente que engloba os cuidados e comportamentos adequados para evitar as consequências negativas da exposição à radiação ultravioleta (RUV). A fotoprotecção também não se restringe aos cuidados na praia ou na piscina, mas em todas as actividades em que, por motivos profissionais, desportivos, de lazer, etc., estamos expostos ao sol.

Os protectores solares têm na sua composição filtros designados como orgânicos ou químicos (ex. cinamatos, benzofenonas, etc) e inorgânicos ou físicos (ex. dióxido de titânio, óxido de zinco). Os filtros químicos actuam sobretudo por absorção da radiação UV, libertando a energia absorvida através de calor, enquanto os filtros físicos actuam por refracção da RUV, impedindo a sua penetração na pele. Na prática é comum a associação de vários filtros químicos e físicos no mesmo protector solar, com o objectivo de alargar o espectro de protecção, particularmente em relação aos UVA. Os filtros físicos eram considerados inestéticos, pela sua fraca capacidade de espalhamento e absorção, deixando a pele branca. Nos últimos anos, com o desenvolvimento das formas micronizadas de óxido de zinco e dióxido de titânio, a sua cosmeticidade melhorou muito.

Desfrutar do sol de uma forma segura implica o respeito por algumas regras:

·Usar vestuário adequado: chapéu, óculos de sol, “t-shirt” de malha apertada, calções etc.

·Evitar a exposição solar directa entre as 12 e as 16 horas. Crianças e pessoas de pele mais clara, idealmente entre as 11 e as 17 horas.

·A exposição solar deve ser gradual e progressiva.

·Aplicar um protector solar de factor 30 ou superior, quinze a trinta minutos antes da exposição ao sol e repetir a aplicação de 2 em 2 horas ou após banho. A eficácia dos protectores solares está bem demonstrada na prevenção da queimadura, através dos filtros para a radiaçãoultravioleta B (UVB). Já o seu efeito protector em relação ao cancro da pele, parece depender de um equilíbrio na capacidade de filtragem dos UVB eultravioletas A (UVA). Os protectores solares são menos eficientes no bloqueio da radiação UVA, apesar dos avanços recentes. Eles devem ser utilizados de forma sensata, com o objectivo de reduzir os efeitos negativos da exposição à RUV e não para permitir permanecer mais horas ao sol sem queimar.

·Não esquecer de proteger os lábios, orelhas e o dorso das mãos, locais onde com frequência surgem lesões pré-malignas e malignas.

·A maioria dos “acidentes” com o sol ocorre nos dias mais frescos, nublados, pela ideia errada de que, “se não está quente não queima”. O calor deve-se à radiação infravermelha que é filtrada pelas nuvens, mas a queimadura solar deve-se sobretudo à radiação ultravioleta, particularmente UVB, que é pouco afectada pelas nuvens. O uso de protector solar não pode ser dispensado mesmo com o tempo nublado.

·Cuidado com o sono! O adormecer ao sol é uma causa frequente de queimaduras, por vezes graves.

·Atenção aos medicamentos fotossensibilizantes que podem desencadear uma reacção de tipo queimadura ou alergia na pele exposta ao sol (ex. doxicilina, minociclina, ciprofloxacina, lomefloxacina, griseofulvina, amiodarona, furosemida, tiazidas, naproxeno, piroxicam, cloropromazina, etc).

Algumas características pessoais como a cor do cabelo (ruivo, loiro), da pele (clara, com sardas) e dos olhos (azuis) permitem identificar pessoas com menos protecção natural em relação à RUV e maior risco de desenvolverem queimadura e/ou cancro da pele. Mas a cor da pele pode enganar e, algumas pessoas de pele relativamente morena, cabelo e olhos castanhos têm dificuldade em bronzear e “queimam” com facilidade, necessitando, também elas, de cuidados redobrados de fotoprotecção. A existência de muitos nevos melanocíticos é também motivo para reforçar todas as regras de fotoprotecção.

As crianças até aos 2 anos não devem ser expostas directamente ao sol – na eventualidade de irem à praia devem usar vestuário adequado que cubra a maior extensão possível de pele, sem esquecer o chapéu, e devem brincar resguardadas do sol, por exemplo, por um guarda-sol. Mas é fundamental alertar para a radiação solar reflectida, tanto na areia, como na água como nas pequenas partículas de poeira da atmosfera. A RUV não vem apenas de cima, vem de todos os lados e, mesmo debaixo de um guarda-sol, estamos expostos ao equivalente a 30% da RUV directa. Ou seja, 3 horas à sombra de um guarda-sol, equivale a cerca de 1 hora ao sol.

Os solários são desaconselhados, vivemos num pais com índices elevados de RUV, não temos qualquer necessidade de nos expormos a fontes artificiais de RUV para obter os efeitos benéficos atribuídos ao sol. Não parece sensato comprometer a saúde para obter apenas um benefício estético transitório.

 

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